cover
Tocando Agora:

Parlamento do Senegal aprova projeto que aumenta punição para pessoas LGBT no país

Primeiro-ministro Ousmane Sonko fala com jornalistas em 2021. Sylvain Cherkaoui/AP/Arquivo O Parlamento do Senegal aprovou um projeto de lei que aumenta as puni...

Parlamento do Senegal aprova projeto que aumenta punição para pessoas LGBT no país
Parlamento do Senegal aprova projeto que aumenta punição para pessoas LGBT no país (Foto: Reprodução)

Primeiro-ministro Ousmane Sonko fala com jornalistas em 2021. Sylvain Cherkaoui/AP/Arquivo O Parlamento do Senegal aprovou um projeto de lei que aumenta as punições para atos homossexuais no país da África Ocidental, de maioria muçulmana. A medida faz do Senegal o mais recente país africano a endurecer as penalidades contra a comunidade LGBTQ+. O texto foi apresentado ao Parlamento no mês passado pelo primeiro-ministro, Ousmane Sonko, e descreve atos homossexuais como “contra a natureza”. LEIA TAMBÉM: Por que os EUA e Israel mantêm a ilha iraniana de Kharg a salvo de bombardeios? A proposta dobra as penas de prisão para condenados por esse tipo de ato: de um intervalo atual de um a cinco anos para entre cinco e dez anos. Quase todos os parlamentares votaram a favor do projeto durante a sessão plenária de quarta-feira (11). Não houve votos contrários e três deputados se abstiveram. Para entrar em vigor, a medida ainda precisa da sanção do presidente Bassirou Diomaye Faye, que, segundo analistas, deve aprovar o texto. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O projeto também prevê punições para o que chama de “promoção” ou “financiamento” da homossexualidade, numa tentativa de restringir a atuação de organizações que apoiam minorias sexuais e de gênero. As multas para esse tipo de infração foram elevadas para até 10 milhões de francos CFA (cerca de R$ 91 mil). Mesmo assim, a proposta mantém o delito como contravenção, e não como crime mais grave. Durante o debate no Parlamento, ministros argumentaram que a legislação anterior, criada em 1966, era branda demais. O novo texto classifica a homossexualidade junto com necrofilia e bestialidade na categoria de “atos contra a natureza”. Ao mesmo tempo, a proposta prevê punição para quem acusar outra pessoa de atos homossexuais “sem provas”. Leis que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo são comuns na África: mais de 30 dos 54 países do continente punem esse tipo de relação. Com a medida, o Senegal se junta a países como Quênia, Serra Leoa e Tanzânia, onde as penas podem chegar a 10 anos ou mais de prisão. Na Somália, Uganda e Mauritânia, o crime pode levar até à pena de morte. Nas últimas semanas, grupos que defendem valores islâmicos organizaram manifestações em apoio à nova medida. Ao mesmo tempo, a polícia intensificou ações contra pessoas suspeitas de serem gays e prendeu pelo menos uma dúzia delas. A proposta cumpre uma promessa de campanha do primeiro-ministro Sonko, que tentou apresentar o projeto quando ainda estava na oposição, mas não teve sucesso.