Aluna trans de 18 anos é agredida por duas jovens durante intervalo em escola no DF
Aluna trans de 18 anos sofre agressão em escola do DF Uma aluna trans de 18 anos foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas no Centro Educacion...
Aluna trans de 18 anos sofre agressão em escola do DF Uma aluna trans de 18 anos foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas no Centro Educacional 02, conhecido como Centrão, em Taguatinga, no Distrito Federal. Segundo a vítima, Daiany Louise, além das agressões físicas, ela foi alvo de ofensas transfóbicas. O ataque ocorreu há uma semana. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp Imagens gravadas por celulares mostram duas alunas brigando, quando um policial do Batalhão Escolar tenta separá-las. Até que uma terceira jovem se envolve na confusão e agride a vítima, estudante do sétimo ano (veja o vídeo acima). "Ela correu atrás de mim e pulou em cima de mim. E aí nisso começou as agressões e aí ela começou a falar, ó, 'traveca' que apanha na cara, né?", disse a estudante à TV Globo. Confusão ocorreu no Centro Educacional 02, em Taguatinga. TV Globo Após a agressão, a Polícia Militar, que estava na escola, levou as envolvidas para a delegacia. Horas depois, o vídeo da agressão se espalhou nas redes sociais acompanhado de frases transfóbicas. "Pós-delegacia, uma das agressoras postou no mesmo dia o vídeo da agressão de uma forma vexatória e ainda colocou lá que 'traveco' tinha que apanhar sim na cara e que travesti na escola não se criava", contou Nathália Carmo, professora e irmã de Daiany. Agressoras A direção do colégio confirmou que uma das agressoras era aluna da unidade no dia da briga, mas já foi transferida. A outra jovem envolvida já havia estudado no local, mas não estava mais matriculada — segundo a diretora Elisângela Ferreira do Nascimento, ela entrou na escola vestindo o uniforme da própria instituição. "A estudante menor era evidentemente matriculada na escola. Contudo, ela trouxe uma outra pessoa maior de idade que, vestida com o uniforme e a identificação da escola, estava lá dentro e participou da agressão", explicou a diretora. O CED 02 atende jovens e adultos nos três turnos e, segundo a direção, cerca de 40 estudantes usam o nome social. A escola afirma manter um trabalho contínuo de acolhimento e respeito à identidade de gênero dos alunos, e diz que esse foi um dos motivos que levaram Daiany a retomar os estudos na unidade. Homotransfobia Os registros de crimes relacionados à homotransfobia cresceram 18% no Distrito Federal em dois anos. Segundo a Polícia Civil, foram 342 casos em 2023, 362 no ano seguinte e um salto para 405 registros no ano passado. As ocorrências mais comuns entre janeiro de 2023 e março de 2026 foram de: agressão moral (558) ameaça (259) violência física (169) Para especialistas em gênero e raça, os números reforçam a importância do papel da escola no acolhimento e na prevenção, para identificar e combater o preconceito antes que ele ganhe outras formas de violência. 'Não vou parar de estudar' Daiany foi agredida por duas jovens durante o intervalo das aulas. TV Globo Daiany conta que começou a transição de gênero aos 12 anos e, com medo do preconceito, passou parte da adolescência longe das salas de aula. Aos 17, encontrou na Educação de Jovens e Adultos a chance de voltar a estudar. Mesmo depois da agressão, ela diz que não pretende abandonar os estudos. "Eu acho que estudar é importante e as pessoas trans têm o direito de estudar, de adquirir conhecimento, se profissionalizarem, estarem em universidades. A gente não pode deixar o preconceito tirar os nossos direitos", concluiu a jovem. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.