Após fuga, Flávio se diz 'presidente eleito', apaga post e passa a se chamar de 'líder do Brasil'
Após fugir do Brasil, Flávio Bolsonaro se diz 'presidente eleito' em carta divulgada nas redes sociais l Em uma carta divulgada após fugir do Brasil rumo aos...
Após fugir do Brasil, Flávio Bolsonaro se diz 'presidente eleito' em carta divulgada nas redes sociais l Em uma carta divulgada após fugir do Brasil rumo aos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro (PL) declarou nesta quarta-feira (28) não reconhecer o resultado das urnas no segundo turno da eleição presidencial, acusou suposta fraude eleitoral e afirmou ser o "verdadeiro presidente do Brasil", o "presidente eleito". 🔎Após divulgar a primeira carta, em formato de imagens, em uma rede social, Flávio divulgou uma nova carta, também em imagens, em que substituiu as expressões "verdadeiro presidente do Brasil" e "presidente eleito" por "líder do Brasil" e "líder". As alegações, divulgadas sem apresentação de provas, contrariam a postura do PL, partido de Flávio Bolsonaro, e contrastam com a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL reconheceu o resultado eleitoral, pedindo esclarecimentos da Justiça. No documento, Flávio agradeceu a líderes internacionais, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que está em território norte-americano com a família e "em segurança". O parlamentar atacou o Judiciário e alegou a existência de um "regime de exceção" e "perseguição política" contra a sua família, negando que sua saída represente uma fuga e comparando sua ida ao exterior a episódios de exílio político de figuras históricas. Ataques ao sistema eleitoral e contestação do resultado Primeira versão da carta postada por Flávio em uma rede social se chamava de 'presidente eleito' Reprodução/X O senador afirmou que ter ocorrido uma "impossibilidade matemática" na votação e contestou decisões tomadas pela Justiça, especialmente pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a votação. O ministro determinou a extensão por duas horas do horário de votação após pedidos – da coligação de Lula e da campanha do próprio Flávio Bolsonaro – de prorrogação em virtude de problemas no transporte público de eleitores e condições climáticas adversas. Após as 17h do último domingo (25), menos de 35 mil votos foram registrados nas urnas até as 19h. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no Brasil foi de 4,4 milhões de votos. Flávio Bolsonaro, no documento, defendeu a cassação da chapa eleita, de Lula e Geraldo Alckmin, e disse que vai liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. "Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania", escreveu o senador na primeira versão da carta divulgada. Na segunda versão postada por Flávio, ele trocou "presidente eleito" por "líder" nesse trecho. TSE confirmou vitória de Lula Apesar das declarações de Flávio Bolsonaro, o TSE confirmou a vitória do presidente Lula no pleito. A Corte Eleitoral também afirmou que a eleição transcorreu em segurança. Em manifestações após a votação, o tribunal reiterou que o processo eleitoral ocorreu com transparência, sem ocorrência de fraudes ou inconsistências que pudessem comprometer a legitimidade da vontade expressa pelos eleitores. Flávio Bolsonaro, no entanto, afirmou que houve uma "atuação ilegítima e ilegal" de Zanin, destacando que o ministro do STF já foi advogado do presidente Lula. "A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno", disse na carta. "Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível", completou. Em nota assinada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o partido afirmou que reconhece o resultado proclamado pelo TSE, presidido por Kassio Nunes Marques, mas disse que "questionamentos levantados precisam ser devidamente esclarecidos". Após a confirmação do resultado pelo TSE no domingo, Flávio Bolsonaro não reconheceu a vitória de Lula e chegou a dizer que pediria a anulação das eleições. Na segunda-feira (26), antes de fugir do Brasil, Flávio mudou de postura e passou a dizer que pediria a cassação da chapa de Lula pelo que chamou de "abusos" de poder político e econômico no processo eleitoral. Ele também acusou o petista de usar máquina pública para se reeleger. Flávio Bolsonaro desembarca nos EUA Eva Marie Uzcategui/Reuters