Carne brasileira vai ter que pagar tarifa de 55% para entrar na China; entenda
Brasil enfrenta barreiras de outros parceiros comerciais, além das tarifas americanas Além das tarifas americanas, o Brasil está enfrentando barreiras de out...
Brasil enfrenta barreiras de outros parceiros comerciais, além das tarifas americanas Além das tarifas americanas, o Brasil está enfrentando barreiras de outros parceiros comerciais importantes. Foi um primeiro semestre histórico para o comércio exterior brasileiro. O país nunca havia vendido tanta carne bovina para o mundo. Um total de quase US$ 10 bilhões. Alta de 33% em relação ao mesmo período de 2025. Mas o segundo semestre deve ser um período de “vacas mais magras”. Em tempos de tarifaço americano, a China se consolidou como nosso principal parceiro comercial, comprando quase metade do que foi enviado para o exterior. O problema é que, para entrar na China a partir de agora, a carne brasileira vai ter que pagar um tarifão de 55%. Isso porque a China criou uma cota para importação de carne para proteger a indústria interna, e essa cota acabou. “Uma cota que reduziu a nossa exportação para eles em cerca de 35%. Então, foi uma cota bastante forte. Nós estávamos exportando 1,7 milhão de toneladas, passamos a exportar 1, 1 milhão”, diz Marcos Jank, economista Insper Agro Global. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Venda de carne do Brasil para a China Globo Outro golpe nas exportações brasileiras veio da parceira União Europeia. Pouco depois de assinar o acordo histórico com o Mercosul, o bloco decidiu suspender a importação de carnes e de outros produtos de origem animal do Brasil. Eles afirmam que o Brasil não conseguiu cumprir a exigência europeia e entregar os documentos que comprovam que os produtos estavam livres de antimicrobianos - remédios usados para tratar e prevenir infecções, mas que também podem funcionar para estimular o crescimento. As perdas brasileiras podem chegar a US$ 2,4 bilhões por ano. A suspensão começa no dia 3 de setembro, e o governo ainda tenta reverter a decisão. De acordo com a associação do setor, os frigoríficos diminuíram abates. Alguns até deram férias coletivas, se ajustando à demanda. No campo, o produtor também se prepara. “A gente tem que tomar muito cuidado com o preço que a gente negocia. Quem tem a opção de segurar o boi no pasto, até que esse cenário melhore, tem optado por isso. Mas também vai muito de contrato do frigorífico que você está negociando, para conseguir um preço melhor ou não”, explica a pecuarista Giulia Franciosi. Além das tarifas americanas, Brasil enfrenta barreiras de outros parceiros comerciais importantes Jornal Nacional/ Reprodução O Brasil busca diversificar. No primeiro semestre, aumentou as exportações para 118 países. Mas os mercados são pequenos comparados à China. O cenário ficou tão complexo que o Brasil chega ao segundo semestre tendo como principal possível comprador os Estados Unidos, que isentaram a nossa carne do novo tarifaço. O país é nosso segundo maior mercado, e as vendas por lá cresceram quase 15% no primeiro semestre. “Se a China continuar proibindo, os Estados Unidos tendem a continuar crescendo, porque eles estão com um problema real de oferta de boi, de carne. Eles estão no pior momento dos últimos 75 anos. Então, é curioso isso, de repente os Estados Unidos viram o nosso grande mercado”, diz Marcos Jank. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Produção de carne bovina do Brasil deve cair em 2026 em meio a tarifas, barreiras comerciais e incertezas no mercado global Veto da UE atinge carne e mel brasileiros enquanto ganhavam espaço no mercado europeu