Cinco anos depois da primeira dose, como está a vacinação contra a Covid no Brasil?
Vacinação contra Covid-19. Divulgação Cinco anos após a aplicação da primeira vacina contra a Covid-19 no Brasil, o cenário da imunização contra a doe...
Vacinação contra Covid-19. Divulgação Cinco anos após a aplicação da primeira vacina contra a Covid-19 no Brasil, o cenário da imunização contra a doença é completamente diferente no país. As mudanças começam pelo fato de o mundo não estar mais em uma emergência sanitária de importância internacional e ter se construído o que os especialistas chamam de imunidade híbrida. ➡️A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera imunidade híbrida a proteção em pessoas que receberam uma ou mais doses da vacina contra a Covid-19 e sofreram pelo menos uma infecção pelo vírus antes ou após o início da vacinação. Renato Kfouri, infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), analisa que isso só foi possível porque mais de 90% da população foi vacinada com pelo menos duas doses e se considera que todos foram expostos ao vírus em algum momento. VEJA MAIS: Há três anos, a primeira vacina contra a Covid foi aplicada no Brasil Mas ele ressalta que chegar a essa imunidade só foi possível graças à vacina – caso contrário, o número de mortes seria infinitamente maior. "A vacina foi o divisor de águas para se chegar nesse momento de imunidade híbrida com muito menos gravidade, com muito menos óbitos e muito menos casos graves", analisa. Nesse contexto, dois pontos são muito diferentes do que o estabelecido há cinco anos, para os primeiros vacinados: Grupo de risco que ainda deve ser imunizado Imunizantes utilizados Na matéria abaixo, você confere quais grupos ainda precisam se vacinar contra a Covid-19 e como está a vacinação no Brasil e entende quem ainda sofre com a doença no país. Quem precisa se vacinar contra a Covid-19? ➡️Em 17 de janeiro de 2021, a enfermeira Mônica Calazans, na época com 54 anos, foi a primeira pessoa, fora dos estudos clínicos, a receber a vacina. Ela atuava na linha de frente no combate à doença no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. No início da vacinação, os profissionais de saúde integravam o grupo prioritário para se imunizar por estarem expostos mais diretamente ao vírus. Eles, assim como pessoas com comorbidades, integravam o conhecido grupo de risco. Mas, atualmente, com a situação epidemiológica sendo totalmente diferente, a recomendação é outra. 👉Em 2024, a vacina contra a Covid-19 foi incluída no Calendário Nacional de Imunização e deve ser tomada anualmente pelos seguintes grupos, de acordo com o Ministério da Saúde: Crianças entre 6 meses e 4 anos Gestantes Pessoas a partir de 60 anos de idade LEIA TAMBÉM: Pesquisa com 18 mil crianças liga infecção por Covid-19 na gestação a risco maior de atraso cognitivo Esquema vacinal incompleto aumenta risco de Covid longa Só em 2025, das quase 22 milhões de doses distribuídas, apenas 8 milhões foram aplicadas no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo mais de 2 milhões no público infantil. "Para pessoas com mais de cinco anos, a imunização é indicada apenas para quem ainda não recebeu nenhuma dose do imunizante", recomenda o Ministério da Saúde. No serviço privado, os níveis de vacinação são baixos, de acordo com os especialistas. Segundo o médico infectologista e diretor clínico do Grupo Fleury, Celso Granato, a imunização contra a doença atualmente está muito concentrada no serviço público, o que gera um reflexo direto nos números da rede privada. Outro ponto importante que também mudou nesses cinco anos é os tipos de imunizantes utilizados. ➡️Em 2021, os primeiros vacinados receberam a CoronaVac, imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Depois, surgiram outras opções como as produzidas pela AstraZeneca, Pfizer e Moderna, com diferentes tecnologias. Atualmente, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) prevê a imunização contra a Covid-19 apenas com dois imunizantes: o da Pfizer (Comirnaty) e o da Moderna (Spikevax), ambos de RNA mensageiro. "As únicas vacinas hoje que a gente utiliza [contra a Covid-19] são as de RNA mensageiro pelo melhor perfil de segurança, comparado com a Janssen e a AstraZeneca, e maior eficácia, especialmente comparada com a CoronaVac", explica Kfouri. Quem ainda sofre com a Covid-19 no Brasil? Apesar da doença, atualmente, ser muito menos agressiva – muito por conta da grande taxa de imunização da população – Granato lembra que o vírus ainda é facilmente transmissível. "Houve uma mudança na gravidade clínica da doença, mas ela não passou a ser boazinha, ela continua afetando os grupos de risco. [...] Houve uma diminuição da patogenicidade, mas até um aumento na transmissibilidade", explica o médico. Nesse cenário, crianças e idosos ainda são os grupos que mais sofrem com a doença. No caso dos bebês, os níveis de infecção são significativos porque boa parte nunca teve contato com o vírus e também ainda não foi imunizado contra a doença. "Eles são virgens de exposição ao vírus e virgens de vacina. Eles estão fazendo o que a gente chama de prima infecção, e não é à toa que hoje os menores de dois anos tem os maiores coeficientes de incidência de hospitalização", detalha Kfouri, que também é pediatra e secretário do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O nível de hospitalização desse grupo é equivalente ao de idosos acima de 80 anos, que geralmente têm um sistema imunológico já bastante frágil. ➡️Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, foram registrados cerca de 1,5 mil óbitos pela doença no país. Os idosos são as principais vítimas, correspondendo a 72,2% do total no período. Apesar de ainda ser expressivo, o número é muito menor do que o observado quando a vacinação começou no país. Em janeiro de 2021, o Brasil registrava mais de 500 mortes por dia. Naquele ano, foram contabilizados mais de 400 mil óbitos pela doença.