Da ameaça de destruir a civilização no Irã ao cessar-fogo: as 10 horas em que Trump pôs o mundo em suspense
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida...
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida à abertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã confirmou o acordo que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas. Trump havia dado até as 21h desta terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. Ele afirmou que uma "civilização inteira" iria morrer com os ataques previstos para esta terça. Essa foi a mais grave ameaça desde o início da guerra e deixou o mundo em tensão nas 10 horas que seguiram o anúncio. Desde os primeiros dias de conflito, o presidente dos EUA vem declarando a vitória de seu governo sobre o regime iraniano, mas o Irã segue fazendo ataques em retaliação e afirma que não irá se render. Algumas horas antes da ameaça de Trump, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse que milhões de iranianos estão "prontos para se sacrificar" pelo país. "Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã", afirmou Pezeshkian em publicação no X. A ameaça de Trump - terça de manhã 9h06 - Trump publica ameaça na rede social Truht Social. Na manhã da terça-feira, por volta das 9h, Trump fez a mais grave ameaça desde o início da guerra entre EUA-Israel e Irã. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada", escreveu o presidente. O presidente dos EUA deu prazo até as 21h (horário de Brasília) da terça-feira para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo, fechada por Teerã em resposta a ataques dos EUA e de Israel. "Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE? Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!", afirmou. Trump sobre Irã: 'Uma civilização inteira morrerá esta noite' Irã reage e afirma que ameaça pode causar genocídio Amir-Saeid Iravani, representante de Teerã na ONU, afirmou que as ameaças de Trump "constituem incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio". Durante uma sessão do Conselho de Segurança sobre o Estreito de Ormuz, Iravani instou a comunidade internacional a denunciar a retórica de Trump antes que seja tarde demais. "O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes de guerra tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito inerente de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais", disse ele. EUA fazem novos bombardeios contra ilha de Kharg A Ilha de Kharg, responsável por 90% do petróleo exportado pelo Irã, foi bombardeada novamente pelos Estados Unidos. O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confirmou o ataque, denunciado pelo Irã e reportado por agências de notícias e a imprensa norte-americana. Políticos dos EUA, ONU e Papa reagem a ameaça de Trump A fala de Trump gerou uma onde de reações por parte de poíticos Democratas e Republicanos, a secretaria-geral da ONU e até o Papa Leoão XIV. Secretário-geral da ONU está 'muito preocupado' O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a ameaça do presidente Donald Trump. “O secretário-geral está muito preocupado com as declarações que ouvimos ontem e novamente esta manhã, declarações que sugerem que todo um povo ou toda uma civilização poderiam ser obrigados a suportar as consequências de decisões políticas e militares”, afirmou o porta-voz Stéphane Dujarric. Aliados políticos de Trump se colocam contra escala de ataques O senador Ron Johnson, do partido republicano (o mesmo que Trump), afirmou que não apoia um possível bombardeio americano contra infraestrutura civil iraniana. “Acho que seria um grande erro”, disse. O influente podcaster de direita Tucker Carlson também criticou a possibilidade de escalada militar, afirmando que autoridades americanas deveriam resistir a qualquer tentativa de ataques em massa que possam matar civis iranianos. Democratas rechaçam ameaça O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, do partido democrata, chamou Trump de “uma pessoa extremamente doente” após o presidente afirmar que “uma civilização inteira morrerá”. Na Câmara, a liderança democrata pediu o retorno imediato dos parlamentares a Washington para votar o fim da guerra com o Irã. Além disso, a ex-vice-presidente dos EUA Kamala Harris chamou as ameaças de Donald Trump contra o Irã de "abomináveis" em um post na rede social X, nesta terça-feira (7). A democrata, que perdeu as últimas eleições para Trump, afirmou: "O presidente dos Estados Unidos está ameaçando cometer crimes de guerra e exterminar uma "civilização inteira" — tudo porque ele mesmo iniciou uma guerra desastrosa e não tinha plano nem estratégia para terminá-la. Isso é abominável, e o povo americano não apoia isso. A imprudência de Trump está colocando desnecessariamente nossos bravos militares em perigo, destruindo a posição dos Estados Unidos no cenário internacional e tornando a vida ainda mais cara para o povo americano. Devemos todos nos opor a isso e nos opor ao financiamento dessa guerra ilegal por escolha própria", escreveu. Papa diz que ameaça é 'inaceitável O Papa Leão XIV chamou de “inaceitáveis” as ameaças contra todo o povo do Irã durante uma coletiva de imprensa. Leão fez um apelo e pediu que cidadãos de todo o mundo entrem em contato com representantes políticos e cobrem o fim da guerra. Ele disse ainda que todos precisam pensar nas vítimas do conflito, incluindo crianças. Em referência às ameaças de Trump de bombardear pontes e usinas de energia, o papa afirmou que ataques à infraestrutura civil são violações do direito internacional. "A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral", afirmou. Regime iraniano convoca população Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para "todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários e seus professores". "As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional". 11h - população do Irã faz cordão humano Iranianos atenderam à convocação do regime e foram até a usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do Irã, para formar uma corrente humana em torno do local. Em vídeo divulgado pela agência de notícias iraniana Fars, centenas de pessoas aparecem na porta da instalação, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo. Iranianos formam corrente humana em torno de usina termoelétrica População do Irã vai às ruas Faltando poucas horas para às 21h, a população do Irã foi às ruas de Teerã, a capital do país, na noite desta terça-feira (7) em apoio ao governo. Imagens divulgadas pelas agências de notícia iranianas no Telegram (veja abaixo) mostram centenas de pessoas na porta da usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do país, segurando bandeiras e cartazes para demonstrar seu apoio ao governo. População do Irã vai às ruas da capital para dar apoio ao regime em meio a ameaças de Trump TV israelense faz contagem O tempo está acabando para o suposto ataque de Donald Trump que, segundo ele, fará os iranianos “viverem no inferno”. O prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos termina nesta terça-feira (7), às 21h, no horário de Brasília. Em Israel, o canal Channel 13 fez uma contagem regressiva ao vivo até o fim do ultimato. TV israelense faz contagem regressiva para ataque de Trump Reprodução Paquistão pede a Trump que adie ultimato O primeiro-ministro do Paquistão, que atua como mediador nas negociações da guerra entre EUA, Israel e Irã, pediu ao presidente dos EUA, Donald Trump, que adie o prazo dado a Teerã em duas semanas. O primeiro-ministro do Paquistão também solicitou ao Irã a reabertura do Estreito de Ormuz pelo mesmo período, como gesto de boa vontade e pediu que todas as partes em conflito adotem um cessar-fogo de duas semanas para permitir o avanço da diplomacia. Segundo o premiê, os esforços diplomáticos por um acordo de paz no Oriente Médio “avançam de forma constante”. O embaixador do Irã no Paquistão disse em uma publicação nas redes sociais, na noite de terça-feira (7), que a diplomacia para pôr fim à guerra deu um “passo à frente”, saindo de uma fase “crítica e sensível”. Ele completou dizendo que "no próximo estágio, respeito e cortesia devem substituir retórica e redundância". Nova onda de ataques do Irã Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026 Amir Cohen/Reuters Países do Oriente Médio relatam uma série de ataques provenientes do Irã. Catar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos disseram ter sido alvos de mísseis e drones de Teerã poucas horas antes do fim do prazo dado por Trump para Teerã fechar um acordo favorável a Washington. Em Bagdá, no Iraque, duas pessoas morreram após um projétil atingir uma casa, segundo o Ministério do Interior. Além disso, instalações americanas próximas ao aeroporto da capital iraquiana também foram alvo de ataques, e chamas foram vistas no local. Segundo a agência Reuters, explosões foram ouvidas em Doha, a capital do Catar. O país disse que interceptou um ataque de mísseis com sucesso. O país disse que interceptou um ataque de mísseis, mas quatro pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança, em função dos destroços. Ao mesmo tempo, o Ministério do Interior do Bahrein informou que sirenes foram acionadas em todo o país. "Os cidadãos e residentes são aconselhados a manter a calma e dirigir-se ao local seguro mais próximo", disse o ministério, em uma publicação na internet. Os Emirados Árabes Unidos também acionaram sirenes de alerta e disseram estar "atuando contra mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones". Embaixadas brasileiras no Oriente Médio emitem alertas Diversas embaixadas brasileiras nos países do Oriente Médio emitiram alertas para os brasileiros da região em meio a possível escalada do conflito entre Donald Trump e Irã. As embaixadas de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos; Doha, no Catar; Kuwait; e no Bahrein enviaram alertas Na capital do Catar, a embaixada brasileira soltou um comunicado com recomendações de segurança e prevenções. "🚨 ATENÇÃO, BRASILEIROS EM DOHA E REGIÃO: A atual escalada das tensões no Oriente Médio exige que a nossa comunidade no Catar mantenha a atenção e o preparo. Se você mora no país ou está aqui temporariamente, leia e siga estas orientações práticas de segurança," escreveu a embaixada em seu Instagram. Agência americanas alertam para hackers iranianos Agências de segurança dos Estados Unidos alertaram nesta terça-feira (7) que hackers apoiados pelo Irã estão explorando falhas em sistemas para atacar a infraestrutura do país, incluindo serviços de água, esgoto, energia e órgãos de governos locais. Os hackers buscam causar "impactos nos EUA" e já provocaram "interrupções em serviços e prejuízos financeiros", afirmaram as autoridades em comunicado. O alerta foi emitido pelo FBI, pela Agência de Segurança Nacional (NSA), pela Agência de Defesa Cibernética (CISA), pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), pelo Comando Cibernético dos EUA e pelo Departamento de Energia. Trump adia ultimato contra o Irã por 2 semanas 19h32 - Trump recua Em um post no Truth Social, Trump disse que resolveu adiar os ataques após um pedido de autoridades do Paquistão, que estão mediando conversas indiretas entre os Estados Unidos e o Irã. "Concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!", afirmou. O presidente norte-americano alegou que todos os objetivos militares dos EUA no Irã já foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas.