Família Acolhedora: saiba como funciona o serviço de lar temporário para crianças em situação de risco
Programa de famílias acolhedoras concede lar provisório a crianças afastadas dos pais A casa de Alessandra Queiroz e Junior Carvalho e Nikolas está pronta p...
Programa de famílias acolhedoras concede lar provisório a crianças afastadas dos pais A casa de Alessandra Queiroz e Junior Carvalho e Nikolas está pronta para mais um morador. Há quatro meses, eles são família acolhedora de um bebê, que chegou com 12 meses de vida. "Sempre tive vontade de ajudar criança. Aí fui pesquisar", diz Alessandra. É a quinta vez que uma criança passa pela casa da família. Eles acompanharam uma transformação da menina que esteve com eles antes do bebê. "Ela chegou muito tímida. Não olhava nos olhos, a cabecinha sempre baixa. Com o tempo, a gente foi dando amor, carinho. Ela foi evoluindo e saiu daqui uma outra criança", conta Nikolas. Eles formam uma "família acolhedora", um serviço que oferece abrigo temporário para crianças e adolescentes que precisaram ser afastados de seus pais biológicos. Em vez de ir para uma instituição ou abrigo, a criança mora temporariamente na casa de uma família cadastrada até que os responsáveis estejam prontos para recebê-la de volta, ou até que o processo de adoção seja concluído. Família Acolhedora: saiba como funciona o serviço de lar temporário para crianças em situação de risco Reprodução/TV Globo De acordo com a legislação brasileira, o acolhimento familiar deve ser priorizado em relação ao institucional. "A preferência é que a criança fique em uma família acolhedora e não em uma instituição por conta da individualização, do tratamento diferenciado e de estar vivendo no seio de uma família", explica a promotora de Justiça Carina Flaks. No entanto, o serviço ainda é pouco conhecido no Brasil. Segundo dados do Judiciário, 93% das crianças e adolescentes afastados de seus parentes moram em instituições. Apenas 7% vivem em lares provisórios. A diferença no desenvolvimento, segundo especialistas, é significativa. O juiz Sergio Ribeiro afirma que estudos apontam prejuízos no acolhimento institucional devido à divisão de atenção: "Para cada ano de acolhimento institucional, há um déficit cognitivo de 4 meses. Em um abrigo, você pode ter dois cuidadores para 20 crianças. No acolhimento familiar, há uma família olhando especificamente para aquele jovem". Regras e ajuda de custo Para participar, a família deve se cadastrar no programa da prefeitura onde reside, passar por avaliações e treinamentos. Cada município estabelece uma ajuda de custo; no Rio de Janeiro, por exemplo, o valor é de R$ 1.400. Um ponto fundamental do programa: família acolhedora não é um atalho para a adoção. "Essas pessoas podem se habilitar para adoção, mas isso não vai acontecer em relação àquela criança específica que elas acolhem. A adoção segue sempre a ordem do Sistema Nacional de Adoção (SNA)", esclarece o juiz Sergio. A experiência do acolhimento prepara o terreno para o futuro da criança. O casal Felix e Othoniel, que adotou uma adolescente de 13 anos no ano passado, sentiu esse impacto. Antes de chegar ao novo lar, a filha passou por uma família acolhedora. "Quando eu penso que ela foi acolhida, penso: nossa, teve alguém que cuidou da minha filha antes da gente chegar. Alguém que teve o papel de ser fada madrinha, de acolher, de dar os primeiros passos para a gente poder receber ela", diz Felix.