Mãe de crianças mortas em escola bombardeada no Irã lembra última conversa: 'Venha nos buscar na escola'
Mãe iraniana pede justiça para ataque de EUA e Israel que matou mais de 150 crianças. Reprodução/ONU Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio...
Mãe iraniana pede justiça para ataque de EUA e Israel que matou mais de 150 crianças. Reprodução/ONU Uma mãe iraniana que perdeu dois filhos no bombardeio que atingiu a escola em Minab, no sul do Irã, no primeiro dia de ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel, Mohaddeseh Fallahat, cobrou justiça e relembrou a última frase que ouviu das crianças antes da tragédia: “Venha nos buscar depois da escola”. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A fala foi feita em uma reunião de emergência no Conselho de Direitos Humanos da ONU nesta sexta-feira (27). O ataque deixou cerca de 175 mortos, entre crianças e professores, e é alvo de disputa de versões entre Irã e Estados Unidos. "Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", declarou Fallahat. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Fallahat fez um depoimento emocionado e descreveu o vazio deixado pela morte dos filhos, Amin e Mehdi. Ao saírem de casa, os filhos disseram apenas que ela fosse buscá-los depois da aula — frase que, segundo ela, se repete “mil vezes” em sua mente. “Hoje, ao passar pelo quarto deles, sinto vontade de abrir a porta e vê-los como sempre. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que uma casa deveria ser”, afirmou. A mulher disse que ainda guarda roupas compradas para o Ano Novo e cadernos que ficaram inacabados. Para ela, os filhos tiveram sonhos interrompidos de forma abrupta. “Não sou apenas uma mãe enlutada. Sou a voz de todas as mães que enviaram seus filhos à escola acreditando na segurança”, declarou. A mulher pediu que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos. “Não por vingança, mas por justiça”, disse. LEIA TAMBÉM: Bombardeio à escola no Irã: como ataque matou dezenas de crianças e jogou pressão sobre Trump e os EUA VÍDEO mostra míssil dos EUA atingindo base ao lado de escola iraniana onde 175 pessoas morreram Investigação dos EUA aponta provável responsabilidade americana no ataque à escola no Irã, diz agência Entenda o contexto Na reunião, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou os Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra e pediu que a ONU condene os dois países pelo ataque à escola. A sessão em Genebra teve como tema central o ataque à escola. "Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio", afirmou Araqchi. O chanceler iraniano disse que as vítimas do ataque foram "massacrados de forma completamente intencional e brutal", em um crime de guerra e contra a humanidade. O bombardeio foi feito por engano pelo Exército dos EUA, segundo análises da mídia norte-americana. Uma investigação militar também indicou em caráter preliminar que as forças dos EUA teriam responsabilidade no ocorrido. Veja abaixo outras coisas que Araqchi falou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em sessão nesta sexta: acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas durante a guerra, o que resultou em mais de 1.000 alunos e professores mortos ou feridos; voltou a criticar os EUA por iniciarem a guerra durante negociações nucleares entre os dois países; criticou ameaças de ataques a infraestruturas vitais —feitas pelos EUA nos últimos dias— e disse que instalações dessa natureza e também civis já sofreram ataques durante a guerra; disse que o Irã nunca buscou a guerra e continuará se defendendo pelo tempo que for preciso. Os Estados Unidos não tiveram um orador na sessão do conselho para se defender das acusações de Araqchi. Oficialmente, o governo Trump acusa o Irã pelo ataque à escola em Minab e diz que não tem civis como alvo. Mesmo com as tentativas de se desvencilhar, o incidente jogou pressão sobre o governo Trump. Na sessão, o chefe de Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, pediu que os EUA concluam sua investigação sobre o ataque à escola em Minab e que publiquem os resultados. “Altos funcionários dos EUA disseram que o ataque está sob investigação. Peço que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado”, disse Türk. O representante do Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o ministro André Simas Magalhães, afirmou que o país condena fortemente o ataque. "Este ato é grave violação dos direitos humanos e da lei internacional humanitária. Estamos presenciando uma sistemática violação da carta da ONU. Isso parece ter virado uma constante em guerras pelo mundo", disse. Infográfico detalha ataque contra escola em Minab, no Irã Alberto Correia/Arte g1