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María Corina Machado diz que EUA sugeriram eleições presidenciais na Venezuela em 2027

Líder da oposição retorna à Venezuela A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29) que os Estados Unidos sugerir...

María Corina Machado diz que EUA sugeriram eleições presidenciais na Venezuela em 2027
María Corina Machado diz que EUA sugeriram eleições presidenciais na Venezuela em 2027 (Foto: Reprodução)

Líder da oposição retorna à Venezuela A líder da oposição venezuelana María Corina Machado afirmou nesta quinta-feira (29) que os Estados Unidos sugeriram a realização de eleições presidenciais na Venezuela em 2027. A opositora, vencedora do Nobel da Paz, fez a declaração em suas primeiras manifestações públicas desde que voltou ao país no último domingo (25). ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O retorno de Machado pode gerar atritos com o governo do presidente americano, Donald Trump, que capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar em janeiro. Maduro responde a acusações de tráfico de drogas e tortura nos Estados Unidos, as quais ele nega. Washington afirmou que Machado tem todo o direito de estar na Venezuela. Trump, porém, também elogiou a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez. O governo americano apoia negociações entre a administração de Rodríguez e grupos de oposição que não incluem o movimento Vente Venezuela, liderado por Machado. As conversas buscam reformar o conselho eleitoral e o principal tribunal do país antes das próximas eleições. Machado agradeceu a Trump e ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pelo papel na saída de Maduro do poder. Segundo ela, a relação entre os dois países deve se basear no respeito mútuo e nos interesses de ambas as nações. “Marco Rubio apresentou uma sequência de etapas para avançar em direção a uma transição democrática, deixando claro que as eleições presidenciais serão realizadas em 2027”, afirmou Machado. A opositora acrescentou que pretende garantir que todos os venezuelanos aptos possam votar em futuras eleições. O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Rubio já havia afirmado que espera que Machado apoie as negociações em andamento. Em entrevista coletiva em Caracas, a líder oposicionista evitou responder a perguntas sobre declarações anteriores de Trump. Em janeiro, o presidente americano disse que ela não tinha apoio suficiente para assumir imediatamente o comando do país. Nesta semana, ele também afirmou que a Venezuela poderia se tornar o 51º estado americano. Machado vem tentando construir uma relação de proximidade com Trump há anos. A opositora disse estar satisfeita com as declarações de Rodríguez, que também defendeu a realização de eleições nesta quinta. Para Machado, os envolvidos na transição democrática precisarão de garantias. Ela defendeu ainda a criação de um mecanismo de Justiça de transição, de uma comissão da verdade e a reformulação das forças de segurança do Estado. Machado, de 59 anos, voltou à Venezuela após várias tentativas frustradas de retornar ao país neste ano. Ela foi impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2024, mas apoiou um candidato substituto, que, segundo os registros divulgados pela oposição na época, venceu a disputa. As instituições venezuelanas, porém, reconheceram a vitória de Maduro. A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha REUTERS/Isabel Infantes Machado defende revisão de contratos e transparência Machado também defendeu mudanças nas regras para contratos públicos e investimentos na Venezuela. Segundo ela, o país precisa de acordos transparentes, licitações abertas e mecanismos internacionais de arbitragem para garantir que investidores e a população venezuelana se beneficiem dos futuros negócios. O governo interino de Rodríguez assinou acordos com empresas interessadas nos setores de petróleo, gás e mineração, com apoio dos Estados Unidos. Entre eles está um acordo entre a empresa norte-americana Blue Energy Partners e o governo americano para exportar a produção de 17 campos petrolíferos venezuelanos. Machado criticou o contrato da empresa, que afirmou não ter visto. Segundo ela, o acordo aparentemente não atende aos níveis de transparência exigidos pela sociedade venezuelana. A opositora também mencionou o presidente-executivo da companhia, Alejandro Betancourt, que foi investigado nos Estados Unidos, na Espanha e na Suíça, inclusive por suspeitas de lavagem de dinheiro. Ele nunca foi formalmente acusado nesses casos. “Quero enfatizar algo a todos os investidores que estão olhando para a Venezuela hoje ou que entraram no país recentemente: todo contrato assinado legalmente será respeitado”, afirmou Machado. Ela acrescentou, porém, que alguns acordos poderão ser renegociados em novas condições, que, segundo ela, serão melhores. A líder oposicionista também defendeu um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabelecer como o país administrará sua elevada dívida e atenderá às necessidades humanitárias mais urgentes.