Master comprou parte de carteiras de crédito podre na terça-feira de Carnaval e revendeu ao BRB na Quarta-Feira de Cinzas
Um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou que o Banco Master afirmou ter comprado, por R$ 143,6 milhões, uma carteira de créditos podr...
Um documento interno do Banco Regional de Brasília (BRB) revelou que o Banco Master afirmou ter comprado, por R$ 143,6 milhões, uma carteira de créditos podres da Tirreno no dia 4 de março de 2025, uma terça-feira de Carnaval. No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o ativo foi repassado ao BRB por R$ 251,2 milhões. 🔎Os créditos da Tirreno não existiam, na prática. Em depoimento, Vorcaro afirmou que não pagou nenhum real pelos títulos – mas eles foram revendidos ao banco estatal. Ao longo do ano de 2025, o BRB tentou comprar o 58% das ações Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro. As transações estão destacadas em um relatório feito pelo grupo de trabalho do BRB criado para analisar as transações com o Banco Master. O parecer, concluído em 19 de maio de 2025, chama a atenção ao fato da transação entre o Master e a Tirreno ter sido realizada em um feriado nacional, quando não há expediente bancário. Veja os vídeos que estão em alta no g1 “Essa operação, realizada em um dia não útil, suscita dúvidas quanto à regularidade do trâmite e à observância dos procedimentos operacionais usuais, o que pode demandar esclarecimentos adicionais ou documentação complementar para validação da legitimidade do processo", diz um trecho do parecer. Revenda por valor acima No dia seguinte, Quarta-Feira de Cinzas, o Banco Master revendeu a mesma carteira de crédito ao BRB por R$ 251,2 milhões. Na data da operação com o BRB, a carteira de crédito estava avaliada pelo Master em R$ 143,8 milhões, o que indica que o ágio — valor a mais que o comprador aceita pagar esperando lucrar com os juros futuros embutidos nas parcelas — foi de R$ 107,3 milhões. Fachada de prédio do BRB Reprodução/TV Globo Como mostrou o g1, foi apenas em uma visita técnica realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 que o BRB descobriu que boa parte das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Daniel Vorcaro e sim a Tirreno. Em reuniões virtuais e em outra visita técnica, o Master dizia que parte dos contratos vinha de uma "Associação", mas sem identificar o nome da instituição. A identificação formal como Tirreno só veio na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix. Leia também: Celina Leão não descarta pedir ajuda a Lula e diz que vai afastar dirigentes do BRB envolvidos no caso Master BRB anuncia que não divulgará balanço de 2025 nesta terça, último dia do prazo definido por lei Documentos internos do banco estatal mostram que, enquanto a compra do Master pelo BRB era avaliada pelo Banco Central, a equipe do banco de Vorcaro deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. As investigações apontam que o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025. Comprou então créditos - sem realizar qualquer pagamento – da Tirreno para, em seguida, revender ao BRB.