Meta vai lançar óculos sem câmera após críticas sobre gravações e preocupações com privacidade
Óculos da Meta geram debate sobre privacidade A Meta deve apresentar nesta quarta-feira (23) novos modelos de óculos inteligentes, incluindo versões sem câm...
Óculos da Meta geram debate sobre privacidade A Meta deve apresentar nesta quarta-feira (23) novos modelos de óculos inteligentes, incluindo versões sem câmera, durante sua conferência anual Connect na Califórnia nos Estados Unidos. A mudança ocorre enquanto a empresa e outras gigantes de tecnologia tentam ampliar o uso de dispositivos de inteligência artificial capazes de interagir com o ambiente ao redor do usuário, mas enfrentam preocupações sobre privacidade e o risco de gravações sem consentimento. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os óculos da Meta são desenvolvidos em parceria com a fabricante de lentes EssilorLuxottica. As vendas dos modelos passaram de 7 milhões no ano passado, tornando o produto um dos principais exemplos da tentativa da indústria de levar a IA para além dos celulares e computadores. 🕶️ Agora, a empresa deve apresentar dois modelos sem câmera, chamados Clubmaster e Burbank, segundo o site The Information. Também são esperadas uma nova versão dos óculos Meta Ray-Ban, que têm câmera, e uma versão mais fina e leve de óculos de realidade aumentada, de codinome Phoenix Por que lançar óculos sem câmera? A retirada da câmera é uma das respostas das empresas ao receio de que esses dispositivos sejam usados para registrar pessoas sem que elas percebam. Os óculos atuais da Meta conseguem tirar fotos e gravar vídeos por meio de uma câmera embutida na armação. Eles também têm microfones e alto-falantes e podem usar inteligência artificial para responder a comandos e interpretar informações do ambiente. No Reino Unido, alguns restaurantes, pubs e teatros passaram a restringir o uso dos dispositivos. A rede de pubs Wetherspoon, uma das maiores do país, está entre os estabelecimentos que adotaram medidas desse tipo A Meta também enfrenta uma ação coletiva na Califórnia relacionada às práticas de privacidade dos óculos. O processo afirma que imagens captadas pelos dispositivos foram enviadas aos servidores da empresa e analisadas e classificadas por trabalhadores envolvidos no treinamento de sistemas de IA. Óculos da Meta têm LED para indicar quando estão gravando ou tirando foto. Darlan Helder/g1 ➡️ Segundo a acusação, entre as imagens estavam pessoas trocando de roupa, usando banheiros e lidando com informações financeiras. A Meta contesta as alegações. A empresa afirma que uma luz nos óculos, que não pode ser desligada durante a gravação, indica quando a câmera está sendo usada. Também diz que o recurso é desativado caso a luz seja coberta ou adulterada. Tirar a câmera resolve? Não necessariamente. Os novos modelos ainda podem captar áudio por meio dos microfones, o que também gera questionamentos sobre gravações não autorizadas, embora em menor escala. Existe ainda uma questão comercial. A câmera está entre os recursos mais utilizados dos óculos atuais. Sem ela, e sem uma tela na frente dos olhos, o consumidor pode questionar qual é a vantagem do dispositivo em relação a um fone de ouvido Bluetooth. Por outro lado, empresas como a startup Even Realities já apostam em óculos inteligentes sem câmera. A companhia lançou seu primeiro modelo em 2024 e afirma que a ausência do recurso ajuda a reduzir o receio de gravações escondidas. Disputa pelo próximo dispositivo A discussão acontece enquanto empresas de tecnologia testam diferentes formatos para criar uma nova geração de aparelhos capazes de acompanhar o usuário durante o dia. A Samsung planeja entrar nesse mercado ainda neste ano, em parceria com as marcas Gentle Monster e Warby Parker. A Snap também prepara seus óculos de realidade aumentada, que devem custar US$ 2.195 (cerca de R$ 11,5 mil na cotação atual) e chegar ao mercado ainda neste ano. A OpenAI também trabalha com a ideia de um dispositivo capaz de compreender continuamente o ambiente do usuário. O presidente-executivo da empresa, Sam Altman, já defendeu que aparelhos desse tipo deveriam processar os dados localmente, sem enviar continuamente as informações para servidores na nuvem. o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025. REUTERS/Carlos Barria