Na Colômbia, socorristas correm contra o tempo para encontrar mais sobreviventes do terremoto
Equipes buscam sobreviventes do terremoto na Colômbia A busca por sobreviventes do terremoto na Colômbia entrou em uma fase crítica. É que depois de 72 hora...
Equipes buscam sobreviventes do terremoto na Colômbia A busca por sobreviventes do terremoto na Colômbia entrou em uma fase crítica. É que depois de 72 horas, especialistas consideram que as chances de encontrar pessoas com vida nos escombros é reduzida. Os enviados especiais Tiago Eltz e Rogério Rocha têm os detalhes da Colômbia. "Quanto a essa questão do tempo, os bombeiros com quem eu conversei aqui trabalham com uma dimensão de tempo diferente, muito menor. Eles falam em 'momentos'. Segundo eles, a cada instante que uma pessoa fica ali debaixo com vida, diminui as chances dela, por isso o trabalho é tão intenso. Os resgates são mais difíceis hoje. Aqui, onde eu estou, nenhum aconteceu. Mas eles continuam acontecendo por Cali. No começo, logo depois do terremoto, circulou muito as imagens de um hospital aqui, o Hospital Universitário, que desabou. A gente tem imagens do que aconteceu agora há pouco: uma paciente que estava internada no hospital foi retirada dos escombros há poucos instantes, com vida. Isso faz com que o ânimo se renove por todo mundo, com todo mundo que está trabalhando nessas buscas. O que tá acontecendo aqui atrás de mim agora é um trabalho muito mais focado. Lá em cima os bombeiros tentam acessar um bolsão de ar, voluntários trabalham puxando os escombros que são retirados. Hoje, a gente tem menos voluntários do que nos outros dias. A prefeitura pediu para que eles não viessem, tinha tanta gente nos últimos dias que começou a atrapalhar. Então, agora, o trabalho é mais focado. Mas a prefeitura está pedindo voluntários para trabalhar na avaliação do que foi danificado na cidade: arquitetos e engenheiros. Precisa entender o que que dá para ser utilizado, o que que precisa ser ser demolido. E está faltando gente para isso. O número de mortos foi atualizado agora há pouco. O governo federal falou em 265. Esse número tem variado durante os dias e é a primeira grande atualização do governo federal: 265 em todo o país. Como eu falei, o trabalho dos bombeiros está ficando mais difícil, mas nem por isso, a atitude deles mudou", relata o repórter Tiago Eltz. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na Colômbia, socorristas correm contra o tempo para encontrar mais sobreviventes do terremoto Jornal Nacional/ Reprodução É uma operação de busca é enorme. O entulho de dois prédios ocupa um quarteirão inteiro. O coordenador dos trabalhos explica o que está acontecendo. Vários pontos já foram checados e liberados. O que eles buscam agora são bolsões de esperança. “Aqui o que a gente está vendo é pessoal trabalhando exatamente para criar uma sustentação ali para a laje. Aqui, eles já verificaram que não tem ninguém. Mas é em lugares como esse aqui que no meio dos escombros se encontram pessoas vivas. E montando escoras, retirando entulho, escavando, eles abriram esse cânion entre os escombros”, conta o repórter Tiago Eltz. “Durante a madrugada foi bem daqui, desse ponto, que os bombeiros resgataram uma pessoa com vida. E é aqui, nessa linha, que segue a esperança de outras pessoas, porque aqui debaixo existem espaços que eles já identificaram onde é possível ainda ter vida. Castro diz que embaixo daquela viga há dutos, onde pode ter gente com vida: 'Temos que levantar as lajes, e chegar ao ponto para checar'”, relata Tiago Eltz. Por toda a cidade, prédios que não desabaram continuam preocupando. Um parece ter ficado de pé por milagre. “Ela está tentando fechar a porta, mas tudo, tudo entortou tanto que a porta, a porta não fecha”, conta Tiago Eltz. A Ligia foi tirar o que pode, mas diz: “Tenho medo de ficar aqui e vir um novo tremor”. A Daniela saiu levando só o que pode carregar. Mas, emocionada: “Não perdemos ninguém, são coisas materiais. Temos que agradecer que estamos bem”. E o que caiu do prédio quase causou uma tragédia na casa da vizinha, que conta: “Os tijolos do prédio caíram em cima da gente. Quebrou todo o telhado”. Além de Cali, a outra cidade mais atingida é Pereira, que está 200 km mais próxima do epicentro do terremoto. Lá morreram 88 pessoas - o maior número do país -, em uma cidade de 500 mil habitantes. Em Pereira, 36 horas depois do terremoto, os bombeiros retiraram Daniela debaixo do concreto do que já foi um hotel. Na Colômbia, socorristas correm contra o tempo para encontrar mais sobreviventes do terremoto Jornal Nacional/ Reprodução Nesta quarta-feira (12), as imagens que chegaram do epicentro do tremor mostram o tempo assustador que ele durou. Em um vídeo feito em San José del Palmar, um homem corre enquanto a terra treme. Ele chega à praça, enquanto tudo balança. Dali percebe dois idosos tentando sair de uma casa. As pessoas socorrem os dois, levam para a praça, eles sentam, e a terra não para de tremer. Os geólogos afirmam que em alguns lugares o tremor durou 1 minuto e meio. Uma eternidade para quem passou pelo terremoto, e um tempo raro de ser visto em eventos como esse. O tempo mais difícil de suportar são os três dias que Enrique já passou em frente a escombros: “Tenho uma amiga que está aqui. É a mãe do bebê, da Valentina, que salvamos no primeiro dia. Ela tem que estar viva, porque o bebê está bem e precisa da mãe”. Mas o tempo não corre a favor das buscas. A cada instante, a probabilidade de encontrar gente viva diminui. Castro diz que isso não importa: “Nada é impossível. Sabemos que pode haver pessoas aqui porque as famílias disseram, e continuamos até encontrar um corpo ou pessoas com vida”. 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