Pastores são acusados de fazer rituais em cemitérios com caixões, velas e ameaça do 'diabo' para tirar dinheiro de fiel no ES
Imagem ilustrativa de cemitério Reprodução/TV Vanguarda Um morador de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, entrou na Justiça acusando três p...
Imagem ilustrativa de cemitério Reprodução/TV Vanguarda Um morador de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, entrou na Justiça acusando três pessoas ligadas a uma igreja evangélica de suspeita de estelionato religioso. Na ação, o homem afirma ter tido prejuízo financeiro superior a R$ 46 mil. De acordo com a ação cível, as supostas práticas envolviam a cobrança de dízimos acompanhada de ameaças. Segundo o relato, caso os valores não fossem repassados a dois pastores, segundo a vítima, o "diabo" e forças malignas causariam destruição à vida da vítima e de seus familiares. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A ação aponta ainda que um ritual maligno falso, com caixões, velas e fotografias de parentes, teria sido encenado para intimidar o fiel. Em decisão divulgada no último dia 12, a juíza Elaine Cristine de Carvalho, da 1ª Vara Cível de Cachoeiro de Itapemirim, negou o pedido de bloqueio de bens dos investigados. No entanto, determinou que eles apresentem defesa no prazo de 15 dias. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM: ABUSOS EM ÔNIBUS E ALOJAMENTO: Servidor preso por estupro de criança em viagens de igreja era do Conselho Tutelar ALEGOU ESTAR 'APAIXONADO': Homem é preso por espionar vizinha durante banho e esfaquear vítima INJÚRIA RACIAL: Paciente xinga e ofende enfermeira durante exame na Santa Casa e é presa por injúria racial em Vitória O g1 não localizou a defesa dos réus até a publicação desta reportagem. O advogado da vítima também foi procurado, mas informou que não comentaria o caso. Constrangimento e insinuação de 'débito' com a igreja Segundo a ação, o homem passou a frequentar a igreja evangélica, que é coordenada por um dos pastores acusados, durante a pandemia da Covid-19, período em que igrejas católicas da região estavam fechadas em razão das medidas sanitárias. O morador relatou que não era dizimista fixo, mas realizava ofertas em dinheiro de forma eventual. Ele afirmou que, em 2025, durante dois cultos no templo, o pastor teria subido ao púlpito, com a igreja cheia, e insinuado que o fiel estaria em "débito" com a instituição havia cinco anos. Ainda conforme o processo, o pastor teria apontado para o homem e descrito as roupas que ele usava, de forma que fosse identificado pelos demais fiéis, enquanto determinava que um obreiro lhe entregasse um envelope de cobrança durante o culto. Mesmo após o constrangimento, o morador afirmou que continuou frequentando a igreja. Ele disse ter colocado uma quantia simbólica em um envelope destinado ao dízimo e solicitado orações ao pastor responsável pelo templo. Dias depois, segundo a ação, o homem recebeu uma ligação do pastor, que teria informado que o pedido de oração havia sido encaminhado a outro líder religioso, identificado no processo como "pastor de fora". Na sequência, o suposto "pastor de fora" teria entrado em contato com a vítima por telefone, a partir de um número com código de área do Piauí. Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo Reprodução/Amunes Durante a conversa, ele teria relatado uma suposta "visão espiritual" envolvendo um "trabalho de magia negra" feito contra o morador em um cemitério do bairro Aeroporto, em Cachoeiro de Itapemirim, alertando para consequências graves à família. Valores pagos em Pix em rituais Conforme o processo, assustado com o relato, o homem marcou um encontro com o pastor da igreja em Cachoeiro e com o filho dele para irem até o cemitério mencionado. O grupo se encontrou em um posto de combustíveis da região e seguiu para o local indicado. No cemitério, ainda segundo a ação, eles estavam em chamada de vídeo com o "pastor de fora" quando encontraram velas, bonecos e fotografias da família da vítima. A ação sustenta que o cenário teria sido montado com o objetivo de provocar abalo emocional e justificar a cobrança de um "voto de confiança com Deus" no valor de R$ 22 mil. O pagamento teria sido exigido sob a ameaça de que, sem o valor, familiares poderiam adoecer ou até morrer. Diante do medo, conforme o relato, o morador teria feito um Pix de R$ 3 mil no local e, no dia seguinte, transferido mais R$ 18 mil para a realização de uma suposta oração de "quebra do trabalho". Dois dias depois, segundo o processo, o "pastor de fora" voltou a procurar a vítima e afirmou ter identificado outro ritual, desta vez em uma propriedade rural localizada em um distrito do município. Um novo encontro foi marcado em um posto de combustíveis de Vargem Alta. De lá, o grupo seguiu até a fazenda, onde, conforme a ação, teriam sido encontrados novos objetos ligados ao suposto ritual, como caixões e velas recém-queimadas. Na versão da vítima, a situação reforçou a pressão psicológica e os pedidos por mais dinheiro. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo