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PM achada com tiro na cabeça em SP avisou que pediria divórcio de tenente-coronel 5 dias antes

Uma soldado da PM morre com um tiro na cabeça e o caso é investigado como morte suspeita Polícia Civil de São Paulo investiga como suspeita a morte da solda...

PM achada com tiro na cabeça em SP avisou que pediria divórcio de tenente-coronel 5 dias antes
PM achada com tiro na cabeça em SP avisou que pediria divórcio de tenente-coronel 5 dias antes (Foto: Reprodução)

Uma soldado da PM morre com um tiro na cabeça e o caso é investigado como morte suspeita Polícia Civil de São Paulo investiga como suspeita a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, ocorrido na quarta-feira (18) no bairro do Brás, região central da capital paulista. Ela foi encontrada baleada no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos. Embora o oficial alegue que a esposa tirou a própria vida, a investigação foi reclassificada após relatos da família da vítima sobre um relacionamento abusivo e violento. Segundo o registro policial, o tenente-coronel ligou para a Polícia Militar informando que a esposa havia disparado contra a própria cabeça. Em seu depoimento, Geraldo afirmou que disse à Gisele que desejava a separação minutos antes do ocorrido. Ele relatou que a soldado se exaltou, bateu a porta do quarto e que, enquanto ele tomava banho, ouviu um barulho de tiro. Ao abrir a porta, teria encontrado a esposa caída com sua arma na mão. Além de acionar a polícia e o resgate, o tenente-coronel afirmou ter ligado para um amigo desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo logo após o episódio. Gisele chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. PM Gisele Alves Santana foi encontrada morta em casa na cidade de São Paulo Reprodução/TV Globo Relatos de controle e violência psicológica Parentes de Gisele contestam a versão de suicídio apresentada pelo marido e descrevem uma mudança drástica no comportamento da soldado após o casamento, ocorrido em 2024. Segundo a família, o oficial exercia um controle rigoroso sobre a rotina da esposa. "Ela era uma menina bem cuidada, bem tratada, era uma menina feliz. Só que depois que ela ficou com ele, a alegria dela a gente viu que se apagou", relatou a tia. De acordo com os depoimentos de parentes, o controle incluía restrições a vestimentas e até o uso de itens pessoais: Gisele era impedida de usar salto alto, batom ou roupas de academia; os perfumes da soldado eram guardados no quartel; ela era proibida de ter contato com a família e andava de cabeça baixa para não olhar para outras pessoas. A tia de Gisele relatou que a filha de 7 anos da soldado, fruto de um relacionamento anterior, presenciou diversas cenas de violência psicológica e estava desesperada para não retornar à casa do casal. Cinco dias antes de morrer, Gisele havia comunicado ao marido e aos familiares que pediria o divórcio. Segundo parentes, ela chegou a ligar para o pai pedindo que a buscasse: "Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais, não suporto mais essa pressão aqui". A família afirma ainda que, ao ouvir o pedido de separação, o tenente-coronel enviou um vídeo ameaçador para Gisele, no qual apontava uma arma contra a própria cabeça. "Uma pressão psicológica: 'se você se separar de mim, eu vou te matar ou vou me matar logo em seguida'", descreveu um familiar sobre o conteúdo da mensagem. Investigação e perícia Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido de Gisele, estava em casa quando disse que escutou o tiro Reprodução/TV Globo A Polícia Civil aguarda laudos periciais sobre a trajetória da bala para esclarecer as circunstâncias da morte. Após o falecimento, o tenente-coronel solicitou permissão para voltar ao apartamento para tomar banho, alegando que ficaria um longo período fora de casa. O pedido foi inicialmente negado pelos policiais militares no local, mas acabou sendo autorizado posteriormente. A família de Gisele espera que o caso seja investigado como feminicídio. "Foi uma tragédia anunciada. Vamos buscar a justiça", afirmou um parente. Gisele estava em um momento profissional estável e se preparava para atuar no Tribunal de Justiça Militar, o que, segundo a família, era um de seus sonhos. O Fantástico tentou contato com o tenente-coronel Geraldo Neto, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. A Polícia Civil informou que a investigação segue em andamento com o acompanhamento da Polícia Militar. Ouça os podcasts do Fantástico O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.