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Polícia Federal é acionada por desaparecimento e danos em acervo do Palácio das Mangabeiras; Zema e Mateus Simões são citados

Sem inventário público, paradeiro de acervo do Palácio das Mangabeiras vira impasse A Polícia Federal foi acionada, por meio de um protocolo de notícia-cri...

Polícia Federal é acionada por desaparecimento e danos em acervo do Palácio das Mangabeiras; Zema e Mateus Simões são citados
Polícia Federal é acionada por desaparecimento e danos em acervo do Palácio das Mangabeiras; Zema e Mateus Simões são citados (Foto: Reprodução)

Sem inventário público, paradeiro de acervo do Palácio das Mangabeiras vira impasse A Polícia Federal foi acionada, por meio de um protocolo de notícia-crime, nesta segunda-feira (6), para para investigar o suposto desaparecimento e a deterioração do acervo do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores de Minas Gerais. O documento aponta a possível prática de crimes contra o patrimônio público e cultural nacional, citando o envolvimento do ex-governador Romeu Zema e do atual governador Mateus Simões. A Deputada Bella Gonçalves, que preside a Comissão de Direitos Humanos, protocolou a denúncia com base em investigações e fiscalizações da Comissão de Cultura da ALMG. A reportagem do g1 localizou um biombo de Emiliano Di Cavalcanti, uma das obras mais valiosas do acervo, hoje exposto no Palácio da Liberdade e a coleção de livros da biblioteca do Palácio do Governo que está guardada na Biblioteca Pública Estadual de MG. Apesar disso, parlamentares de oposição afirmam que o Estado ainda não apresentou um inventário público detalhado das 294 peças retiradas do Palácio das Mangabeiras, alvo de análise do Tribunal de Contas de Minas Gerais. O Tribunal de Contas informou que a representação foi recebida nos últimos dias e está em análise preliminar pela Presidência da Corte. Nessa etapa, é verificado se os fatos apresentados tratam de matéria de competência do controle externo exercido pelo tribunal. Se a representação for admitida, ela será transformada em processo e distribuída a um conselheiro relator. Conforme a legislação estadual e o regimento interno do TCEMG, representações e denúncias tramitam sob sigilo. Parte dos livros que saíram da biblioteca do Palácio do Governo para a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. Fernanda Torquato O que diz a denúncia Segundo o documento, o Palácio das Mangabeiras, projetado por Oscar Niemeyer, deixou de ser residência oficial em 2019 por determinação de Zema. Desde então, o imóvel passou a ser gerido pela Codemge e a abrigar eventos privados, como a Casa Cor. No entanto, fiscalizações recentes da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) revelaram um cenário "alarmante". Em visita realizada em julho de 2026, os parlamentares encontraram apenas cinco itens do mobiliário original: uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano. Centenas de outras peças, como obras de arte, pratarias, louças e livros, não foram localizadas. Obras de arte danificadas A denúncia baseia-se também em depoimentos do próprio Secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira. Em prestação de contas à ALMG, o secretário admitiu que, em 2020, encontrou 44 obras (incluindo nomes como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti) guardadas de forma inadequada pela Polícia Militar, cobertas apenas por tecidos. Entre os danos relatados, Oliveira afirmou que um biombo de quatro metros de Di Cavalcanti "craquelou" e que "muitas obras" sofreram danos materiais durante a retirada e o armazenamento. Pedido de intervenção federal A notícia-crime protocolada solicita que a Polícia Federal assuma o caso devido ao interesse da União na proteção do patrimônio cultural brasileiro, uma vez que o Palácio integra o conjunto paisagístico da Serra do Curral, tombado pelo IPHAN. Além disso, o documento argumenta que a investigação deve ocorrer em âmbito federal pois envolve autoridades com prerrogativa de foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para isso, seria necessária a instauração de investigação criminal para apurar crimes como peculato e dano qualificado, uma perícia técnica nas obras danificadas e também uma oitiva do secretário Leônidas Oliveira e de dirigentes da Codemge e da Polícia Militar. A Polícia Federal informou que não se manifesta sobre investigações em andamento. O que diz o governo de Minas Em nota, o Governo de Minas afirmou que todos os bens que integravam o acervo do Palácio das Mangabeiras no início da atual gestão, em 1º de janeiro de 2019, estão cadastrados, inventariados e com a localização registrada nos sistemas oficiais de controle patrimonial. Segundo o governo, parte do acervo foi destinada a equipamentos públicos, como a Biblioteca Pública Estadual, o Palácio da Liberdade e o Museu Mineiro, para preservação e exposição. O Executivo destacou que o biombo de Di Cavalcanti está em exposição no hall de entrada do Palácio da Liberdade desde abril deste ano. Os demais bens, de acordo com a administração estadual, permanecem armazenados em instalações públicas, seguindo critérios técnicos de conservação e segurança. O governo também informou que prestará os esclarecimentos solicitados pelo Tribunal de Contas de Minas Gerais. O g1 entrou em contato com a assessoria do ex-governador Romeu Zema e aguarda retorno. Biombo de Di Cavalcanti, localizado no salão do torreão esquerdo do Palácio da Liberdade. Fernanda Torquato/g1 Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais