Presidente do Senado decidiu não prorrogar CPI do Crime Organizado, diz relator da comissão
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta terça-feira (7) que ...
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta terça-feira (7) que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) decidiu por não prorrogar o prazo de funcionamento da comissão. "Eu tive agora no início da tarde uma reunião com o presidente da casa, o senador Davi Alcolumbre, tratando do requerimento de prorrogação da CPI do crime organizado. O requerimento foi apresentado com todos os requisitos constitucionais e regimentais, mas o presidente Davi Alcolumbre decidiu não fazer a prorrogação do período", afirmou Vieira. A CPI foi instalada no começo de novembro e tem seu prazo de encerramento das atividades na próxima terça-feira (14). Segundo Vieira, Alcolumbre atribuiu a decisão aos problemas que a comissão poderia causar em ano eleitoral. O senador afirmou que o relatório da comissão será apresentado no último dia, a partir das informações já obtidas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Ele justifica dizendo que se trata de um ano eleitoral e na visão dele não é bom ter uma CPI tramitando. Eu entendo que o presidente Davi presta um grande desserviço para a nação", argumentou. Durante a fala com a imprensa, o relator se demonstrou desapontado com a decisão do presidente Alcolumbre e afirmou que ela causa uma "frustração de interesse público dos brasileiros". "Eu tenho plena ciência de que é muito difícil investigar rico e poderoso no Brasil. A lei no Brasil é feita para investigar pobre, para punir pobre. E a gente não faz nada, ou quase nada, para combater o crime onde ele verdadeiramente é mais perigoso, que é no andar de cima", finalizou. O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado Marcos Oliveira/Agência Senado Respostas incompletas Vieira afirmou a prorrogação da CPI permitira à comissão a conseguir acesso a documentos que não foram enviados pelos órgãos requisitados. O relator apontou que foi preciso reenviar um novo pedido para a Receita Federal, questionando o porquê dos dados de pagamento ao escritório de advocacia da esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, não constarem nos dados fornecidos anteriormente. As informações chegaram à CPI na manhã desta terça. "Vou dar um exemplo da dificuldade que a gente enfrenta nesse caso. A quebra de sigilo do Banco Master veio incompleta. Então, nós precisamos solicitar da Receita Federal a complementação de dados. Só hoje, por exemplo, chegaram os dados referentes aos pagamentos feitos ao escritório da doutora Viviane Barci", afirmou. 'Volume monumental' de documentos O pedido de prorrogação foi apresentado por Vieira na segunda-feira (6) e contou com o apoio de 28 senadores. Nele, o relator afirmava que o colegiado reuniu um "volume monumental" de documentos para analisar e que seria necessário mais tempo para cruzar os dados coletados e ouvir investigados e testemunhas. Vieira também argumentou que a comissão não teve prazo suficiente para concluir um diagnóstico sobre a atuação de facções e milícias em diferentes estados do país. O relator queria ouvir ainda governadores e secretários de segurança de diferentes regiões. Presidente de CPI critica decisões que liberam comparecimento a depoimentos Nesta terça-feira-feira, o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, não compareceu à comissão. Ibaneis havia sido convidado em fevereiro para falar à CPI e não foi à reunião, levando a uma convocação pelo grupo. O governador obteve, no entanto, autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça para não comparecer nesta terça.