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Quatro homens viram réus por garimpo ilegal em unidade de conservação no interior do AM

Área de garimpo ilegal no interior do Amazonas Divulgação A Justiça Federal no Amazonas tornou réus quatro homens acusados de manter um garimpo ilegal de c...

Quatro homens viram réus por garimpo ilegal em unidade de conservação  no interior do AM
Quatro homens viram réus por garimpo ilegal em unidade de conservação no interior do AM (Foto: Reprodução)

Área de garimpo ilegal no interior do Amazonas Divulgação A Justiça Federal no Amazonas tornou réus quatro homens acusados de manter um garimpo ilegal de cassiterita dentro do Parque Nacional Mapinguari, em Lábrea, no interior do estado. A denúncia, apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), foi aceita pela Justiça, e os investigados vão responder pelos crimes de usurpação de bem da União, extração ilegal de recursos minerais e dano direto a unidade de conservação. De acordo com o Ministério Público Federal, o garimpo funcionava na área desde antes de 2007 e seguia em atividade até 26 de julho de 2023, quando foi alvo da "Operação Oportunidade V", realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). 🔎 Garimpo ilegal é a extração de minérios sem autorização do Estado, feita em áreas proibidas. A atividade ocorre principalmente na Amazônia, dentro de terras indígenas e unidades de conservação. Ela provoca destruição ambiental, contamina rios com mercúrio e ameaça comunidades tradicionais. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O Parque Nacional Mapinguari é uma unidade de conservação de proteção integral. Por lei, qualquer tipo de exploração de recursos naturais na área é estritamente proibida. Agora no g1 Durante a operação, os agentes encontraram um acampamento instalado no meio da floresta com uma estrutura usada para extrair cassiterita, minério empregado na fabricação de estanho, telas de celulares e peças automotivas. No local havia motores-bomba, dutos de sucção, máquinas de separação do minério e equipamentos utilizados no desmonte hidráulico. Devastação Laudos da Polícia Federal e autos de infração do ICMBio apontam que a atividade destruiu 39 hectares de vegetação nativa e afetou cerca de 4,8 quilômetros de cursos d'água em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Ainda conforme a investigação, o garimpo provocou o aterramento de nascentes, a abertura de grandes cavas inundadas, o desvio da drenagem natural e a contaminação do solo, da água e do ar. Pelos danos ambientais, o ICMBio aplicou multa de R$ 450 mil. Já a perícia da Polícia Federal estimou em R$ 2.180.871,36 o valor mínimo necessário para recuperar a área degradada e compensar os serviços ambientais perdidos. As investigações também apontaram que nem o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nem a Agência Nacional de Mineração (ANM) tinham registro de licença ambiental ou autorização de lavra em nome dos acusados. Operações no AM destruíram 375 estruturas e fizeram garimpo ilegal perder mais de R$ 1 bilhão Quem são os acusados Segundo o Ministério Público Federal, um dos réus financiava e comandava o garimpo. Ele fugiu para a mata durante a fiscalização, mas foi identificado após deixar uma mochila com documentos pessoais no acampamento. Outros dois homens foram presos em flagrante enquanto operavam máquinas e extraíam o minério. O quarto acusado foi encontrado no acampamento de apoio e admitiu aos agentes que participava da rotina do garimpo, conforme a denúncia. Pedidos da denúncia Além da condenação criminal, o Ministério Público Federal pede que os quatro réus paguem R$ 2.180.871,36 para reparar os danos ambientais e patrimoniais causados pela atividade ilegal. O órgão também solicita o pagamento de R$ 10 mil por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, além da entrega de toda a cassiterita apreendida durante a operação à Agência Nacional de Mineração. LEIA TAMBÉM: Apreensão de ouro dispara 830% e expõe nova rota do garimpo ilegal Facções transformam crimes ambientais em nova fronteira do poder no Amazonas Comando Vermelho domina garimpo ilegal em terra indígena e transforma ouro em moeda do crime, diz PF Sobe para 98 o número de dragas destruídas em operação da PF contra garimpo ilegal no Amazonas Foto Divulgação/PF