Seca severa aumenta preços da carne em até 28% e causa falta do produto em açougues no Acre
Rio Branco enfrenta alta no preço e falta de carne em alguns açougues 🥩 O preço da carne bovina subiu e a oferta do produto diminuiu em açougues e superm...
Rio Branco enfrenta alta no preço e falta de carne em alguns açougues 🥩 O preço da carne bovina subiu e a oferta do produto diminuiu em açougues e supermercados de Rio Branco devido, principalmente, ao cenário de seca severa. Alguns cortes aumentaram mais de 28% entre janeiro e agosto. O valor da carne nos açougues da capital subiu em todos os 14 cortes de carne monitorados mensalmente pelo Programa de Educação Tutorial (PET) do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Acre (Ufac). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp Conforme a Federação de Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), os criadores de gado vendem os bovinos propícios para abate antes do início do período conhecido como verão amazônico, que é caracterizado pela falta de chuvas e elevação das temperaturas. Preço da carne bovina subiu e a oferta caiu em Rio Branco devido à seca severa Marcos Santos/Secom LEIA MAIS: Com mais de 300 mil cabeças de gado, abate de bovinos cresce 5,7% no 1º semestre de 2026 no AC Governo decreta situação de emergência devido à seca severa no Acre Passagens aéreas e energia elétrica puxam inflação de Rio Branco, que tem maior alta do país: 'Tudo caro' "Porque se entrar [na época de estiagem] ele [gado] vai perder peso e só vai poder abater depois, em novembro e dezembro. Então é natural que nesta época do ano haja menor oferta de animais para abate", argumenta Assuero Veronez, presidente da Faeac, à Rede Amazônica A. Ainda conforme o balanço do PET, entre janeiro, época com mais registro de chuvas, e agosto, período de seca na região, o acém teve o maior aumento do ano nos açougues da capital, com 28,3% de acúmulo no ano, seguido do fígado que aumentou 25,4% até a primeira quinzena de agosto. Esta lógica começou a refletir no bolso de quem procura o item. O produtor rural Carlos Lopes afirma que passou a diversificar os alimentos para diminuir o consumo de carne bovina. "Eu compro galinha e peixe para evitar comprar a carne. É a mais barata que a gente tem condição de comprar, pois cada dia está aumentando mais [o custo da carne bovina]", explica. 💲 Alta nos açougues Ao g1, a empresária Alana Gonsalves da Silva, que é proprietária de um açougue no bairro Seis de Agosto, no Segundo Distrito da capital acreana, afirma que a dificuldade para conseguir carne não é recente. Contudo, nas últimas três semanas, a situação se agravou. "Estamos tendo dificuldade de conseguir carne de qualidade. O preço que chega para nós está muito elevado e isso está comprometendo o nosso trabalho. Queremos manter o açougue abastecido e oferecer um produto de qualidade para o nosso cliente, mas está cada vez mais difícil", relata. O açougueiro Bismarque Maciel aponta uma elevação de R$ 3 por quilo do produto fornecido a ele, o que o levou a subir o preço de revenda. Com isso, ele teme perder clientes. "Infelizmente temos que passar [o aumento], porque se não, não conseguimos pagar as contas”, lamenta. Pressão da baixa demanda Além dos cálculos que mostram a necessidade de elevação no preço, os comerciantes relatam que estão recebendo menos carne dos frigoríficos. O açougueiro Emerson Ferreira conta que já chegou a ficar dois dias sem produto para vender por falta de entrega. "Está um pouco difícil, porque a gente pede uma vaca e meia e só mandam uma banda. Estão cortando muitos pedidos. Tem dia que a gente fica sem carne também, porque o frigorífico está sem carne", destaca. Apesar da redução sentida, o Acre ultrapassou a marca de 338 mil bovinos abatidos no primeiro semestre de 2026, com um aumento de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme o boletim técnico mensal da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac), divulgado no mês de junho. Decreto de emergência No começo de agosto, o governo do Acre decretou situação de emergência devido a seca severa e possibilidade de desabastecimento de água em todo o estado. A medida, assinada pela governadora Mailza Assis (PP), foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 180 dias. Já na última terça-feira (11), foi a vez da Prefeitura de Rio Branco decretar situação de emergência por conta da seca que atinge o município. A medida também foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e assinada pelo prefeito Alysson Bestene, com validade de 180 dias. Pesquisa do PET Confira abaixo a média dos cortes de carne que tiveram maior aumento entre açougues e supermercados de Rio Branco, entre janeiro e agosto deste ano. Supermercados: Coxão-mole: custava R$43,38 em janeiro e saltou para R$45,19 em agosto; Pá com osso: R$21,84 e passou a custar R$23,69; Pá-sem-osso: R$35,78 saltou para R$39,13; Agulha: R$22,98 em janeiro e 27,71 em agosto; Acém: R$32,55, saltando para 34,99. Açougues Picanha: custava R$ 65,40 em janeiro e saltou para R$ 67,85 em agosto; Filé: R$ 66,19 saltando para R$ 67,83; Coxão-mole: R$ 36,23 aumentou para R$ 40,20; Coxão-duro: R$ 30,50 em janeiro, subiu para R$ 34,64; Fraldinha: saltou de R$ 35,98 para R% 38,22 em agosto; Fígado: R$ 11,15 para R$ 14,60; Pá com osso: R$ 18,59 e passou a custar R$ 22,39; Pá-sem-osso: R$ 33,36 saltou para R$ 37,54; Alcatra: R$ 44,35 subiu para R$ 47,23; Patinho: de R$ 34,81 subiu para R$ 38,43; Agulha: R$ 2,56 em janeiro e R$ 26,63 em agosto; Músculo: R$ 28,19 para R$ 31,25; Contra-filé: R$ 42,85 saltando para R$ 45,38; Acém: R$29,42, saltando para R$ 32,70. Reveja os telejornais do Acre