STJ nega soltura de falso médico descoberto após citar vesícula de paciente sem o órgão em SP
Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de s...
Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de soltura do empresário Wellington Augusto Mazini Silva, preso preventivamente desde janeiro após se passar por um médico e realizar atendimentos em um hospital de Cananéia, no litoral de São Paulo. O verdadeiro profissional, cujo Wellington usava o CRM, morreu durante a investigação do caso. Segundo as investigações, Mazini teria utilizado o CRM de Enrico Di Vaio, de quem era sócio em uma clínica na capital paulista, para realizar atendimentos na Unidade Básica de Saúde (UBS). Em depoimento, o empresário afirmou que teria agido a mando do médico e que receberia R$ 1,5 mil pelo serviço. Enrico Di Vaio morreu no fim de fevereiro. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A fraude foi descoberta após Mazini relatar ter visto a vesícula de uma paciente que não possui o órgão. Ele também foi alvo de processos por danos morais pelas pacientes atendidas, que pedem mais de R$ 250 mil em indenizações. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) já havia negado, de forma liminar, a soltura dele. Na última semana, a soltura também foi negada de forma liminar [temporária] pelo STJ. O ministro Herman Benjamin destacou que não poderia analisar o pedido porque o mérito do habeas corpus ainda não foi julgado pelo TJ-SP. G1 em 1 minuto - Santos: Falso médico é descoberto após citar órgão que paciente não tinha A defesa havia alegado que a prisão não foi revisada em 90 dias, como prevê o Código Penal, e pediu a substituição por medidas cautelares. Para o ministro, porém, o STJ somente poderia intervir se a prisão em flagrante fosse irregular, o que não aconteceu. O g1 entrou em contato com a defesa de Wellington, que informou que se manifestará nos autos do processo, que corre em segredo de Justiça. Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais Alvo de processos Cinco mulheres atendidas por Mazini entraram na Justiça pedindo indenização de R$ 250 mil — R$ 50 mil para cada uma. Elas solicitam reparação por danos morais após terem sido submetidas a exames de ultrassom transvaginal com o suposto profissional. Na petição enviada à Justiça, consta que o suspeito realizou exames de ultrassom transvaginal nas vítimas. O advogado destacou que a situação representou "extrema exposição e vulnerabilidade", já que as mulheres tiveram sua intimidade indevidamente violada. Enrico Di Vaio (à esq.) era sócio e dono do CRM usado por Wellington Mazini (à dir.) Redes Sociais O advogado ainda destacou a omissão na fiscalização por parte da empresa gestora e do município. A ação foi protocolada de forma solidária, o que significa que qualquer um dos réus pode pagar o valor integral e depois cobrar sua parte. "A exposição indevida de seu corpo em contexto médico, mediante fraude, gerou intenso constrangimento e sofrimento psíquico", destacou Almeida. Ao g1, o advogado Celino Barbosa Netto, que representava Mazini à época, disse que a defesa ainda não foi citada sobre as ações. "Meu cliente sequer foi citado ainda na esfera criminal e os fatos narrados nas ações cíveis dependem inexoravelmente da decisão da ação penal", disse ele. Denúncias anteriores Wellington Augusto Mazini Silva foi preso por exercício ilegal da medicina em Cananéia Redes sociais Conforme apurado pelo g1, Mazini já havia sido acusado de crimes semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário denunciou ele e familiares por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita. Na acusação, o denunciante afirmou que Mazini se passou pelo mesmo médico cujo CRM foi usado em Cananéia, tendo realizado ao menos dez atendimentos na região. Entre os procedimentos, estariam ultrassonografias de próstata, vias urinárias e abdômen total. O documento destacou que a conduta colocou em risco a saúde de diversos pacientes, submetidos a exames por um profissional não habilitado. O Ministério Público e a Polícia Civil foram acionados, mas não houve retorno sobre o andamento das investigações. Denunciado O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos. A defesa afirmou que a acusação é “inflada” e juridicamente controversa, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos