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Veja como pés de laranja e limão em quintais colocam em risco a citricultura no interior de SP

Laranjas afetadas pelo greening Jefferson Barbosa/EPTV Pés de laranja, limão e mexerica cultivados em quintas urbanos, sítios e áreas de pastagem, sem os cu...

Veja como pés de laranja e limão em quintais colocam em risco a citricultura no interior de SP
Veja como pés de laranja e limão em quintais colocam em risco a citricultura no interior de SP (Foto: Reprodução)

Laranjas afetadas pelo greening Jefferson Barbosa/EPTV Pés de laranja, limão e mexerica cultivados em quintas urbanos, sítios e áreas de pastagem, sem os cuidados adequados, representam um risco direto para a citricultura comercial por funcionarem como focos de disseminação do greening, considerada a doença mais grave do setor. O alerta foi feito por Renato Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus e vice-diretor do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura (CPA- Citrus), durante a cerimônia de assinatura do convênio do novo centro de pesquisas, nesta segunda-feira (12), que terá sede virtual na Esalq/USP de Piracicaba (SP). Siga o g1 Piracicaba no Instagram Quando doentes, as plantas funcionam como 'reservatórios’ da bactéria que causa o greening, explicou o pesquisador. “Essas são fontes que normalmente o morador não cuida, não pulveriza, não controla o inseto que transmite a doença. Então essas plantas se tornam fonte da bactéria”, explica o pesquisador. Planta com greening Fundecitrus/Divulgação O problema não se restringe às áreas urbanas. Bassanezi destacou que plantas cítricas também surgem de forma espontânea em pastagens e sítios. Em muitos casos, sementes são disseminadas pelo próprio gado, que consome os frutos e espalha os caroços. Assim, nascem pés de limão ou laranja fora de pomares comerciais, sem qualquer controle sanitário. O que é o greening? Pé de laranja infectado com greening Fundecitrus/Divulgação O greening é uma bactéria considerada a mais destrutiva da citricultura mundial. Ela foi identificada no Brasil em 2004 e é transmitida pelo inseto psilídeo. Os sintomas podem ser observados nas folhas, que apresentam um aspecto amarelado, e nas flores, que ficam secas e murchas, por exemplo. As regiões de Limeira (SP), Avaré (SP) e Bebedouro (SP) são as mais afetadas, segundo estudo de 2024 da Fundecitrus. O levantamento anual da incidência de greening, produzido pelo Fundecitrus, mostra que em 2025 a doença atingiu 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro. O índice representa um aumento de 7,4% em relação a 2024. Como pés de quintais contribuem com o greening? Inseto psilídeo, transmissor da doença greening Fundecitrus/Divulgação Os pés de laranja, limão e mexerica de uso não-comercial facilitam a reprodução do psilídeo infectado. Funciona assim: ele se alimenta das plantas doentes, adquire a bactéria e, depois, pode se deslocar para outras plantas isoladas ou pomares comerciais, onde transmite a doença às plantas produtivas e saudáveis. Além disso, as murtas ornamentais também contribuem para a propagação do greening, pois são hospedeiras do inseto vetor (saiba mais abaixo). Dificuldade de controle em pomares comerciais Planta infectada com greening Fundecitrus/Divulgação Bassanezi explicou que, após o inseto adquirir a bactéria, é muito difícil impedir a transmissão. Isso porque ele se alimenta preferencialmente das brotações das plantas, que estão em constante crescimento. Nesse estágio, o inseticida aplicado não se ‘move’ para dentro da planta de forma eficiente pelo tecido vegetal, exigindo pulverizações mais frequentes. “O inseto precisa de cerca de uma hora se alimentando para transmitir a bactéria. É um processo muito rápido”, afirma. Por esse motivo, o pesquisador reforçou que uma das principais estratégias de controle do greening é a eliminação das chamadas fontes externas de inóculo, como plantas cítricas em áreas urbanas e não comerciais. “A gente precisa eliminar realmente essas fontes externas dos pomares para ter um controle mais efetivo”, diz. Jasmim-laranja e o greening Murta Prefeitura de Jundiaí/Reprodução Além dos citros, as murtas também representam riscos à citricultura por funcionarem como hospedeiras do inseto transmissor da bactéria do greening. A planta ornamental é muito comum em jardins residenciais e é conhecida como ‘jasmim-laranja'. Outro fator que contribui para o aumento de risco é que as murtas dificilmente recebem qualquer tipo de pulverização com inseticida. Assim, para reduzir a população do inseto, é preciso diminuir a presença dessas plantas em áreas urbanas e próximas aos pomares, afirmou Bassanezi. Para conter o avanço do greening, em maio de 2025, o estado de São Paulo proibiu o plantio de mudas de murta, o comércio, o transporte e a utilização da murta no paisagismo urbano em áreas públicas e privadas em todo o território paulista, exceto para plantas destinadas à pesquisa científica e devidamente cadastradas na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA). Cidades da região de Piracicaba, como Limeira (SP), têm realizado ações de conscientização para a substituição das murtas por plantas nativas. Sobre o CPA-Citrus Laboratório estufa de citricultura Denise Guimarães/Esalq-USP O CPA-Citrus, lançado nesta segunda-feira, é um centro de pesquisas fomentado por uma parceria público-privada entre o Governo do Estado de São Paulo e os produtores citrícolas para desenvolver pesquisas de combate ao greening. O CPA integra 19 instituições e 76 departamentos científicos de sete países (Brasil, EUA, Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Austrália) e tem investimento de R$ 90 milhões em cinco anos, renováveis por mais cinco. Segundo Lilian Amorim, diretora CPA-Citrus, muitas cidades paulistas têm a economia baseada na citricultura, portanto, é preciso tomar medidas regionais de prevenção e combate ao greening para que se tenha o controle mais eficiente da doença. VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e Região Veja mais notícias sobre a região no g1 Piracicaba